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No TEA, o genoma não confirma o diagnóstico. Ele ajuda a procurar a causa.

Por Neogenomica
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O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é clínico. Não existe um teste genético capaz de confirmar ou excluir, sozinho, o diagnóstico de autismo.

Quando uma investigação genômica é solicitada, a pergunta é diferente:

Existe uma causa genética identificável que possa explicar o quadro deste paciente?

Essa distinção é fundamental para entender o papel da genética no TEA.

Quanto a genética consegue explicar?

O rendimento diagnóstico dos testes genéticos varia de acordo com a população estudada e, principalmente, com a complexidade clínica do paciente.

Em um dos maiores estudos sistemáticos de Sequenciamento do Genoma para TEA, Lowther et al. avaliaram 1.612 famílias e identificaram variantes diagnósticas em 7,8% dos indivíduos com TEA. O estudo também demonstrou que o Sequenciamento do Genoma identificou variantes que poderiam passar despercebidas por algumas das estratégias diagnósticas convencionais.

Uma meta-análise que reuniu 32.331 indivíduos encontrou um rendimento de 17,1% para TEA em estudos de sequenciamento. É importante observar que essas coortes eram clinicamente selecionadas e apresentavam grande heterogeneidade.

Por isso, para pessoas com TEA predominantemente isolado, uma expectativa realista de diagnóstico molecular deve considerar uma faixa aproximada de 8% a 17%, dependendo da população e da estratégia utilizada.

A complexidade clínica muda tudo

O rendimento pode ser muito maior quando o autismo faz parte de um quadro mais amplo, acompanhado por outras características clínicas.

Um estudo prospectivo publicado em 2025, com 137 crianças submetidas a sequenciamento de exoma em trio, encontrou rendimento diagnóstico de 8,2% nos casos de TEA não sindrômico, enquanto nos casos de TEA sindrômico chegou a 35%.

Isso mostra por que não é adequado extrapolar taxas de 30% ou 40% para todos os pacientes com autismo.

Quanto mais características clínicas associadas existem, maior pode ser a probabilidade de encontrarmos uma causa genética identificável.

Entre os sinais que podem aumentar a suspeita de uma condição genética associada estão, por exemplo:

  • deficiência intelectual;
  • epilepsia;
  • alterações congênitas;
  • alterações neurológicas;
  • atraso global do desenvolvimento;
  • características dismórficas;
  • alterações de crescimento;
  • histórico familiar sugestivo.

A avaliação clínica individual continua sendo essencial para definir a estratégia diagnóstica.

Mas por que investigar a causa genética?

Se o diagnóstico de autismo já foi estabelecido clinicamente, por que procurar uma causa genética?

Porque, em alguns pacientes, encontrar uma alteração genética pode trazer informações adicionais importantes para o cuidado.

Um resultado molecular pode ajudar a:

  • identificar uma síndrome genética associada ao quadro;
  • orientar investigação de outras manifestações clínicas;
  • indicar acompanhamento médico específico;
  • auxiliar no aconselhamento genético da família;
  • esclarecer o risco de recorrência em futuras gestações;
  • em situações específicas, contribuir para decisões terapêuticas.

Um estudo publicado no Pediatrics mostrou que, entre crianças com TEA que tiveram um resultado genético patogênico, 72,2% receberam alguma recomendação médica adicional após o resultado. Essas recomendações incluíram, por exemplo, encaminhamentos para especialistas e exames complementares.

É importante entender o que isso significa — e o que não significa.

Genética não é promessa de "cura" do autismo

Encontrar uma causa genética não significa que o teste irá modificar as características centrais do autismo, como linguagem ou comportamento.

A utilidade do diagnóstico molecular está principalmente em explicar melhor o quadro, identificar riscos associados e orientar o cuidado quando isso for possível.

Prometer que um teste genético irá "tratar" ou "curar" o autismo não é sustentado pelas evidências atuais.

O objetivo é mais concreto:

Encontrar uma possível causa genética quando ela existe e transformar essa informação em cuidado.

NeoGenoma TEA: investigar a causa, não substituir o diagnóstico clínico

Apresentamos o NeoGenoma TEA, desenvolvido para apoiar a investigação de possíveis causas genéticas relacionadas ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) e a outros quadros de atraso ou alterações do neurodesenvolvimento.

O diagnóstico do TEA é clínico. A investigação genética tem uma pergunta diferente: existe uma alteração genética identificável que possa ajudar a explicar o quadro?

Em um mesmo pedido e a partir de uma única coleta, o NeoGenoma TEA reúne três frentes de investigação:

🧬 Sequenciamento Completo do Genoma

Análise abrangente do genoma, com interpretação orientada pelo quadro clínico, características do neurodesenvolvimento e história familiar.

O Sequenciamento Completo do Genoma permite investigar não apenas variantes em regiões codificantes, mas também diferentes tipos de alterações genéticas que podem não ser identificadas por exames mais restritos.

🔬 Análise de CNVs

O exame também avalia variações no número de cópias (CNVs), incluindo deleções e duplicações detectáveis pela metodologia.

Essas alterações podem estar relacionadas a síndromes genéticas e a diferentes condições do neurodesenvolvimento.

🧪 Teste dedicado para X Frágil

O NeoGenoma TEA inclui ainda uma investigação específica para a Síndrome do X Frágil, com análise da expansão de repetições CGG no gene FMR1.

Essa abordagem é importante porque esse tipo de alteração exige uma metodologia específica e não é adequadamente investigado pelo sequenciamento convencional.

Uma investigação integrada

Em vez de solicitar diferentes exames e integrar os resultados posteriormente, o NeoGenoma TEA reúne essas três estratégias em uma investigação coordenada.

Os achados genômicos são analisados em conjunto com as informações clínicas e familiares disponíveis, permitindo uma interpretação mais direcionada ao paciente.

O resultado é apresentado em um laudo integrado, facilitando a compreensão dos achados e o acompanhamento do caso pelo médico.

E se o resultado for negativo?

Um resultado negativo não exclui uma contribuição genética para o quadro.

A genética do neurodesenvolvimento é complexa e o conhecimento científico está em constante evolução. Novos genes são descobertos, novas variantes são classificadas e mecanismos associados a doenças são continuamente descritos.

Por isso, um resultado inicialmente negativo pode representar apenas o conhecimento disponível naquele momento.

É nesse contexto que a reanálise genômica e o acompanhamento contínuo das novas evidências científicas podem ampliar as possibilidades diagnósticas ao longo do tempo.

Uma resposta mais precisa para uma pergunta diferente

No TEA, o Sequenciamento Completo do Genoma não responde:

"Esta pessoa é autista?"

Essa é uma pergunta clínica.

A investigação genômica procura responder:

"Existe uma alteração genética que possa explicar este quadro?"

E, quando essa resposta é encontrada, ela pode abrir novas possibilidades para o acompanhamento do paciente e de sua família.

NeoGenomica. Um teste, todas as respostas.

Referências

  • Lowther C, et al. Systematic evaluation of genome sequencing for the diagnostic assessment of autism spectrum disorder and fetal structural anomalies. American Journal of Human Genetics. 2023;110(9):1454–1469. DOI: 10.1016/j.ajhg.2023.07.010.
  • Sánchez Fernández I, et al. Clinical sequencing yield in epilepsy, autism spectrum disorder, and intellectual disability: A systematic review and meta-analysis.
  • Bajaj S, et al. Prospective study to analyze the yield and clinical impact of trio exome sequencing in 137 Indian children with autism spectrum disorder. Journal of Human Genetics. 2025;70:611–624. DOI: 10.1038/s10038-025-01368-4.
  • Harris J, et al. Estudo sobre rendimento e impacto clínico dos testes genéticos em crianças com TEA.