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Quando o exoma não é suficiente: por que o genoma completo pode mudar o diagnóstico das imunodeficiências

Por Neogenomica
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Imagine uma criança com infecções recorrentes, manifestações autoimunes ou outras características sugestivas de uma imunodeficiência primária.

A investigação genética é solicitada.

O exoma é realizado.

E o resultado é negativo.

O caso está realmente sem uma causa genética?

Nem sempre.

Um dos principais limites do exoma é justamente aquilo que ele não foi desenhado para enxergar: regiões não codificantes, variantes profundas em íntrons, alterações regulatórias e determinadas variantes estruturais.

Foi essa questão que investigamos no SuperPainel de Erros Inatos da Imunidade da NeoGenomica, utilizando dados de 587 genes relacionados a imunodeficiências primárias.

O que o nosso levantamento mostrou?

Analisamos 44.150 variantes patogênicas ou provavelmente patogênicas presentes na ClinVar.

Dessas:

42.669 estão em regiões codificantes clássicas, que são bem capturadas pelo exoma.

Mas 1.886 variantes — 4,27% — estão em regiões ou classes de variantes que podem escapar ao WES tradicional.

E esse pequeno percentual pode representar uma grande diferença para o paciente.

Em um cenário hipotético de 1.000 investigações de IDP por ano, estimamos que 40 a 80 pacientes poderiam permanecer sem diagnóstico molecular apesar de carregarem uma variante patogênica conhecida que poderia ser identificada pelo WGS

O que o exoma pode não enxergar?

Entre as variantes identificadas em nosso levantamento estão:

🧬 Splicing estendido
Alterações fora dos tradicionais ±2 pares de bases que podem alterar o processamento do RNA.

🧬 Variantes regulatórias
Alterações em promotores e UTRs capazes de interferir na expressão de um gene.

🧬 Variantes profundas em íntrons
Alterações que podem criar pseudoéxons e comprometer a produção da proteína.

🧬 Genes de RNA não codificante
Regiões que não produzem proteínas e, por isso, podem ser excluídas dos filtros tradicionais do exoma.

🧬 Variantes sinônimas com efeito de splicing
Alterações que parecem silenciosas, mas podem modificar o processamento do RNA.

🧬 Rearranjos estruturais
Deleções e duplicações maiores que podem escapar da análise convencional do exoma.

Não é apenas uma questão de quantidade de genes

Esse é um ponto importante.

Mais genes não necessariamente significam uma investigação mais completa.

É preciso considerar como cada região do genoma é analisada e quais tipos de variantes podem ser detectados.

No nosso levantamento, por exemplo, encontramos 644 rearranjos estruturais entre as variantes potencialmente invisíveis ao WES.

E a dificuldade não está apenas no tamanho dessas alterações.

O white paper mostra que o WES apresenta uma espécie de “curva em U” para variantes estruturais: alterações muito pequenas e muito grandes são particularmente difíceis de caracterizar, enquanto a faixa de 1–5 kb é aquela em que o CNV-calling do exoma apresenta melhor desempenho.

Quatro exemplos. Quatro mecanismos diferentes.

O documento apresenta quatro casos de variantes patogênicas conhecidas que podem escapar ao WES:

ATM — variante profunda em íntron, associada à ataxia-telangiectasia.

BTK — deleção estrutural pequena em paciente com agamaglobulinemia ligada ao X.

RMRP — alteração em um gene de RNA não codificante.

IL12RB1 — variante regulatória em 5'UTR associada à deficiência de IL-12Rβ1.

São mecanismos completamente diferentes.

Mas existe algo em comum:

    • diagnóstico depende de conseguir olhar além das regiões tradicionalmente exploradas pelo exoma.

Por que isso importa para o paciente?

Porque um diagnóstico molecular não é apenas um nome no laudo.

Ele pode abrir caminhos para:

  • definição de terapias específicas;
  • indicação mais precoce de transplante em situações selecionadas;
  • monitoramento de complicações;
  • aconselhamento genético e investigação familiar;
  • planejamento reprodutivo;
  • acompanhamento clínico direcionado.

Em algumas imunodeficiências, conhecer exatamente o gene e a variante responsável pode mudar significativamente a condução clínica.

WGS: não deveria ser apenas o segundo passo

Quando existe forte suspeita de um Erro Inato da Imunidade, a pergunta não deveria ser apenas:

“Qual painel de genes devo pedir?”

Também precisamos perguntar:

“Qual tecnologia consegue investigar melhor esses genes?”

No White Paper da NeoGenomica, os dados analisados sustentam uma conclusão clara para o cenário estudado: o WGS pode ser considerado como primeira escolha na investigação molecular de pacientes com suspeita de imunodeficiência primária, em vez de ser reservado apenas para depois de um exoma negativo.

Porque o diagnóstico que existe não deveria permanecer invisível.

SuperPainel de Erros Inatos da Imunidade — NeoGenomica

WGS + bioinformática especializada + interpretação clínica.

Acesse nosso white paper completo aqui.