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Sequenciamento Completo do Genoma reforça seu papel na investigação do câncer de mama e ovário hereditário

18/10/2025

O Sequenciamento Completo do Genoma (Whole Genome Sequencing – WGS) vem se consolidando como a abordagem mais abrangente para investigação genética de pacientes com predisposição hereditária ao câncer.

Um novo estudo conduzido na Alemanha reforça essa tendência ao demonstrar que o WGS oferece vantagens importantes em relação aos testes convencionais, como painéis direcionados e Sequenciamento Completo do Exoma (WES), especialmente na investigação da Síndrome de Câncer de Mama e Ovário Hereditário (HBOC).

Os resultados fortalecem uma mudança de paradigma na genética clínica: mais importante do que analisar um grande número de genes é garantir uma avaliação completa, uniforme e tecnicamente robusta de cada um deles.

Como o estudo foi realizado

Os pesquisadores avaliaram 818 pacientes com critérios clínicos para HBOC utilizando Sequenciamento Completo do Genoma.

Foram investigados os principais genes associados ao câncer hereditário, incluindo:

  • BRCA1
  • BRCA2
  • PALB2
  • RAD51C
  • RAD51D
  • BRIP1
  • BARD1
  • PTEN
  • CDH1
  • STK11
  • TP53
  • CHEK2
  • ATM

Além da investigação de variantes patogênicas, o estudo também avaliou a aplicação de Escores de Risco Poligênico (PRS) por meio do modelo BRIDGES.

Principais resultados

Taxa de detecção

O estudo identificou variantes patogênicas ou provavelmente patogênicas em:

12,2% dos pacientes

Ao todo foram encontradas 100 variantes em 97 indivíduos, distribuídas principalmente entre os genes:

  • BRCA1
  • BRCA2
  • CHEK2
  • ATM

Por que o WGS apresentou melhor desempenho?

Quando comparado ao Sequenciamento do Exoma, o Sequenciamento Completo do Genoma apresentou vantagens importantes.

Entre elas:

✅ Cobertura significativamente mais uniforme dos genes analisados.

✅ Redução dos chamados "gaps" de sequenciamento.

✅ Melhor desempenho para identificação de variantes estruturais complexas.

✅ Capacidade de detectar variantes intrônicas profundas que normalmente não são avaliadas por painéis convencionais.

A cobertura dos genes HBOC atingiu aproximadamente 96,3% das regiões com profundidade ≥30x, superior ao desempenho observado com o exoma.

Casos que poderiam passar despercebidos

Entre os achados mais relevantes estavam alterações que dificilmente seriam identificadas por metodologias convencionais.

Os pesquisadores detectaram, por exemplo:

  • Duplicação parcial do éxon 13 em BRCA1;
  • Inversão completa de um éxon em BARD1;
  • Variante intrônica profunda em CHEK2.

Esses exemplos demonstram como uma análise mais abrangente pode aumentar o rendimento diagnóstico em pacientes com predisposição hereditária ao câncer.

Muito além da análise de variantes

Outra vantagem importante do Sequenciamento Completo do Genoma é permitir que o mesmo conjunto de dados seja utilizado para análises adicionais.

No estudo, os pesquisadores aplicaram com sucesso um Escore de Risco Poligênico (PRS) para câncer de mama utilizando o modelo BRIDGES.

Além disso, o WGS possibilita a obtenção de informações relevantes para:

  • Farmacogenômica;
  • Reanálises futuras conforme novos genes sejam descobertos;
  • Estudos de variantes estruturais;
  • Avaliação de regiões intrônicas e regulatórias.

Isso transforma o exame em uma plataforma diagnóstica completa, preparada para acompanhar a evolução do conhecimento científico.

O que esse estudo significa para a prática clínica?

Os resultados reforçam uma tendência observada em diversos estudos internacionais: o Sequenciamento Completo do Genoma está se consolidando como uma abordagem de primeira linha para investigação genética em pacientes com suspeita de câncer hereditário.

Ao oferecer maior cobertura, melhor desempenho técnico e capacidade de identificar variantes que podem passar despercebidas em outras metodologias, o WGS amplia as possibilidades diagnósticas e reduz a necessidade de exames complementares.

Mais importante do que simplesmente aumentar o número de genes analisados é garantir que cada gene seja investigado com a máxima qualidade possível.

O SuperPainel NeoGenomica de Risco Hereditário de Câncer

Na NeoGenomica, essa visão já faz parte da prática clínica.

O SuperPainel NeoGenomica de Risco Hereditário de Câncer foi desenvolvido tendo o Sequenciamento Completo do Genoma como base tecnológica, oferecendo uma abordagem que vai além dos painéis convencionais.

Entre seus diferenciais estão:

  • Sequenciamento Completo do Genoma (WGS);
  • Avaliação de variantes estruturais e intrônicas profundas;
  • Detecção especializada da mutação fundadora BRCA2 c.156_157insAlu, relevante para a população brasileira;
  • Pipeline dedicado para análise do gene PMS2, reduzindo limitações causadas por pseudogenes;
  • Escore de Risco Poligênico para câncer de mama;
  • Farmacogenômica integrada;
  • Sistema Infinity VUS, que monitora continuamente variantes de significado incerto e atualiza sua classificação conforme novas evidências científicas surgem.

Porque, quando o objetivo é identificar risco hereditário de câncer, qualidade da análise faz toda a diferença.

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Referência científica

O estudo citado neste artigo foi publicado em 2025 na revista The Breast e avaliou a implementação clínica do Sequenciamento Completo do Genoma (WGS) em 818 pacientes com suspeita de Síndrome de Câncer de Mama e Ovário Hereditário (HBOC), demonstrando benefícios importantes em relação ao exoma e aos painéis convencionais, incluindo melhor cobertura dos genes, menor número de regiões sem cobertura ("gaps"), detecção de variantes estruturais complexas, variantes intrônicas profundas e possibilidade de cálculo de escores de risco poligênico (PRS).

Artigo completo (acesso aberto):

Clinical genome sequencing in patients with hereditary breast and ovarian cancer: Concept, implementation and benefits (PMC)

Referência bibliográfica:

Witt D, Sturm M, et al. Clinical genome sequencing in patients with hereditary breast and ovarian cancer: Concept, implementation and benefits. The Breast. 2025;82:104505. DOI: 10.1016/j.breast.2025.104505.

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