O Sequenciamento Completo do Genoma (Whole Genome Sequencing – WGS) vem se consolidando como a abordagem mais abrangente para investigação genética de pacientes com predisposição hereditária ao câncer.
Um novo estudo conduzido na Alemanha reforça essa tendência ao demonstrar que o WGS oferece vantagens importantes em relação aos testes convencionais, como painéis direcionados e Sequenciamento Completo do Exoma (WES), especialmente na investigação da Síndrome de Câncer de Mama e Ovário Hereditário (HBOC).
Os resultados fortalecem uma mudança de paradigma na genética clínica: mais importante do que analisar um grande número de genes é garantir uma avaliação completa, uniforme e tecnicamente robusta de cada um deles.
Como o estudo foi realizado
Os pesquisadores avaliaram 818 pacientes com critérios clínicos para HBOC utilizando Sequenciamento Completo do Genoma.
Foram investigados os principais genes associados ao câncer hereditário, incluindo:
- BRCA1
- BRCA2
- PALB2
- RAD51C
- RAD51D
- BRIP1
- BARD1
- PTEN
- CDH1
- STK11
- TP53
- CHEK2
- ATM
Além da investigação de variantes patogênicas, o estudo também avaliou a aplicação de Escores de Risco Poligênico (PRS) por meio do modelo BRIDGES.
Principais resultados
Taxa de detecção
O estudo identificou variantes patogênicas ou provavelmente patogênicas em:
12,2% dos pacientes
Ao todo foram encontradas 100 variantes em 97 indivíduos, distribuídas principalmente entre os genes:
- BRCA1
- BRCA2
- CHEK2
- ATM
Por que o WGS apresentou melhor desempenho?
Quando comparado ao Sequenciamento do Exoma, o Sequenciamento Completo do Genoma apresentou vantagens importantes.
Entre elas:
✅ Cobertura significativamente mais uniforme dos genes analisados.
✅ Redução dos chamados "gaps" de sequenciamento.
✅ Melhor desempenho para identificação de variantes estruturais complexas.
✅ Capacidade de detectar variantes intrônicas profundas que normalmente não são avaliadas por painéis convencionais.
A cobertura dos genes HBOC atingiu aproximadamente 96,3% das regiões com profundidade ≥30x, superior ao desempenho observado com o exoma.
Casos que poderiam passar despercebidos
Entre os achados mais relevantes estavam alterações que dificilmente seriam identificadas por metodologias convencionais.
Os pesquisadores detectaram, por exemplo:
- Duplicação parcial do éxon 13 em BRCA1;
- Inversão completa de um éxon em BARD1;
- Variante intrônica profunda em CHEK2.
Esses exemplos demonstram como uma análise mais abrangente pode aumentar o rendimento diagnóstico em pacientes com predisposição hereditária ao câncer.
Muito além da análise de variantes
Outra vantagem importante do Sequenciamento Completo do Genoma é permitir que o mesmo conjunto de dados seja utilizado para análises adicionais.
No estudo, os pesquisadores aplicaram com sucesso um Escore de Risco Poligênico (PRS) para câncer de mama utilizando o modelo BRIDGES.
Além disso, o WGS possibilita a obtenção de informações relevantes para:
- Farmacogenômica;
- Reanálises futuras conforme novos genes sejam descobertos;
- Estudos de variantes estruturais;
- Avaliação de regiões intrônicas e regulatórias.
Isso transforma o exame em uma plataforma diagnóstica completa, preparada para acompanhar a evolução do conhecimento científico.
O que esse estudo significa para a prática clínica?
Os resultados reforçam uma tendência observada em diversos estudos internacionais: o Sequenciamento Completo do Genoma está se consolidando como uma abordagem de primeira linha para investigação genética em pacientes com suspeita de câncer hereditário.
Ao oferecer maior cobertura, melhor desempenho técnico e capacidade de identificar variantes que podem passar despercebidas em outras metodologias, o WGS amplia as possibilidades diagnósticas e reduz a necessidade de exames complementares.
Mais importante do que simplesmente aumentar o número de genes analisados é garantir que cada gene seja investigado com a máxima qualidade possível.
O SuperPainel NeoGenomica de Risco Hereditário de Câncer
Na NeoGenomica, essa visão já faz parte da prática clínica.
O SuperPainel NeoGenomica de Risco Hereditário de Câncer foi desenvolvido tendo o Sequenciamento Completo do Genoma como base tecnológica, oferecendo uma abordagem que vai além dos painéis convencionais.
Entre seus diferenciais estão:
- Sequenciamento Completo do Genoma (WGS);
- Avaliação de variantes estruturais e intrônicas profundas;
- Detecção especializada da mutação fundadora BRCA2 c.156_157insAlu, relevante para a população brasileira;
- Pipeline dedicado para análise do gene PMS2, reduzindo limitações causadas por pseudogenes;
- Escore de Risco Poligênico para câncer de mama;
- Farmacogenômica integrada;
- Sistema Infinity VUS, que monitora continuamente variantes de significado incerto e atualiza sua classificação conforme novas evidências científicas surgem.
Porque, quando o objetivo é identificar risco hereditário de câncer, qualidade da análise faz toda a diferença.
Um teste, todas as respostas
Neste Outubro Rosa — e durante todo o ano — vale uma reflexão:
Quanto vale detectar um caso adicional de predisposição hereditária ao câncer? Quanto vale orientar corretamente mais uma família?
A resposta começa com a escolha da tecnologia diagnóstica mais completa.
Referência científica
O estudo citado neste artigo foi publicado em 2025 na revista The Breast e avaliou a implementação clínica do Sequenciamento Completo do Genoma (WGS) em 818 pacientes com suspeita de Síndrome de Câncer de Mama e Ovário Hereditário (HBOC), demonstrando benefícios importantes em relação ao exoma e aos painéis convencionais, incluindo melhor cobertura dos genes, menor número de regiões sem cobertura ("gaps"), detecção de variantes estruturais complexas, variantes intrônicas profundas e possibilidade de cálculo de escores de risco poligênico (PRS).
Artigo completo (acesso aberto):
Referência bibliográfica:
Witt D, Sturm M, et al. Clinical genome sequencing in patients with hereditary breast and ovarian cancer: Concept, implementation and benefits. The Breast. 2025;82:104505. DOI: 10.1016/j.breast.2025.104505.